A psicologia é uma ciência que se apropria de outros campos
das ciências, como antropologia, neurociência, física, etc. No intuito de
entender o funcionamento da mente humana, em especial as emoções, de maneira a conseguir
lidar com os conflitos inerentes ao ser humano na sua coletividade e
individualidade.
Essa realidade não poderia ser diferente com a física quântica,
muitos físicos quânticos e alguns psicólogos podem até “rilhar os dentes”, ao
se fazer essa apropriação, mas é inevitável que isso acabe por acontecer.
Mesmo por que essas pesquisas já ocorrem atualmente, como
será citado adiante.
A física quântica estuda as menores partículas existentes,
e suas aplicações, várias tecnologias estão sendo usadas hoje, com base nesses princípios.
Uma dela é a própria computação.
Demócrito (460 a. C. – 370 a. C.) foi o primeiro a
discorrer sobre o átomo “Não existe nada a não ser átomos e espaços vazios;
tudo o mais é opinião (doxa, δόξα)”, afirmou.
No entanto, a ciência moderna descobriu que, os átomos são
na realidade pacotes de energia, ou melhor são condensações momentâneas de um
campo de energia, cada átomo consiste quase totalmente de espaço vazio. Nós
pobres mortais, também somos feitos de átomos.
Nisso se inclui o próprio pensamento, pois quando se
formula um pensamento emitem-se “ondas”, que podem ser captadas por diversos
aparelhos, como eletroencefalograma, tomografia, etc. Os pesquisadores conseguem
até definir que espécie de “onda” está sendo emitida dependendo do tipo de
pensamento, diferenciam essas ondas com as letras gregas alfa, gama, etc.
Somando-se a isso há constatação feitas em alguns
experimentos, que o observador (o cientista) poderia interferir no resultado da
pesquisa sem ter essa intenção, o que levou alguns cientistas a procurar respostas.
O doutor Radin (2014), desenvolveu a hipótese de mentes
emaranhadas, se a matéria pode ser emaranhada, ou seja, a matéria é composta
por diversos átomos diferentes, emaranhados, criando toda a realidade que se
conhece, provavelmente, o mesmo acontece com as mentes.
Em seu laboratório ele pediu que duas pessoas se sentassem
uma na frente da outra e se concentrassem no individuo à sua frente, depois
separou os indivíduos em salas distintas, uma das salas estava totalmente no escuro
a outra não. O sujeito da sala clara, teve seu olho estimulado por uma
lanterna, sua pupila evidentemente dilatou. Mas, o interessante é que a pupila
do outro sujeito que estava na sala escura, também teve a pupila dilatada sem
nenhuma estimulação externa. Vale a pena ressaltar que os dois sujeitos não
tiveram contato um com outro fisicamente e foram monitorados durante o
experimento.
Essa mesma experiência foi realizada com parâmetros fisiológicos
diferentes, com a mesma resposta. Isso indica que, os dois sujeitos estavam com
as mentes emaranhadas, que havia uma comunicação entre eles, que não era física.
O Dr Radin fez pesquisas diversas durante décadas chegando à
conclusão que fenômenos não físicos de emaranhamento entre as mentes de duas
pessoas ocorrem normalmente, o que se pode dizer quando se envolvem centenas,
milhares ou milhões de mentes? Para tentar explicar isso ele e seus
colaboradores desenvolveram o projeto de consciência global.
Nesse projeto os pesquisadores estudam eventos planejados
(como a passagem do ano 2000) e não planejados (o evento do 11 de setembro).
Ele afirma que, quando um grande número de mentes se concentram
em determinado assunto, as leis da aleatoriedade não se aplicam, isso significa
que a mente altera a realidade.
Isso de certa forma está de acordo com a teoria de Carl G.
Jung, do inconsciente coletivo, do qual “brotam” os arquétipos (mãe, pai, deus,
criança, velho, etc.), que afetam diretamente o comportamento consciente de
cada um.
Os arquétipos, segundo Jung, são universais e dão origem a
conceitos, sonhos, e outros fenômenos psicológicos.
Assim, o conceito da consciência coletiva, que todos estão
emaranhados formando uma realidade, cria consistência.
Também é valido para o indivíduo, a realidade é criada pelo
tipo de pensamento que o sujeito tem sobre si mesmo e o que o cerca.
Quando os antigos filósofos e as religiões orientais
afirmavam que “somos o que pensamos” obtém-se outro sentido, pois depois de
tanto tempo a ciência está confirmando preceitos até então relegados à condição
de “crença”.
O indivíduo muitas vezes institui um padrão de pensamento,
de conduta, que gera sofrimentos, por exemplo, quando se coloca no papel de vítima,
esse tipo de pensamento cria um emaranhado mental, o modelo fica gravado, e
essa situação irá se repetir continuamente.
Se o sujeito tomar consciência desse esquema, pode rompê-lo
criando uma outra realidade, mais favorável para si. Porém, requer esforço e dedicação,
pois esse padrão não foi gerado em um dia, levou algum tempo para ele se
estabelecer, não se pode querer que seja quebrado repentinamente.
O importante é saber que nenhum sofrimento deve durar para
sempre, que há ferramentas que podem auxiliar para se transpor essas etapas da
vida, que sempre é possível mudar, para melhor.
Referência Bibliográfica:
RADIN; Dean. Entangled
Minds. USA: Copyrighted Material. 2014.


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