sábado, 17 de janeiro de 2015

Psicologia: O Medo



Na escala de desenvolvimento da vida, o primeiro sentimento a surgir entre os seres vivos é o medo.

Todos os organismos sem exceção, apresentam esse sentimento, deste os organismos unicelulares até os mais complexos, inclusive as plantas, pesquisadores como Monica Gagliano, Stefano Mancuso e Daniel Robert (2012), comprovaram em laboratório, que além de se comunicarem as plantas apresentam sentimentos, entre eles o medo.

Quaisquer seres unicelulares ao ser ameaçado pelas mudanças adversas no seu habitat apresentam comportamento de recuo e fuga, caracterizando o medo.

Esse sentimento surge para que o organismo, seja ele qual for, possa se defender e garantir sua sobrevivência.

Portanto o medo é um sentimento natural e benéfico quando se refere a proteção do ser.

Pode-se afirmar que existem dois tipos de medo, o exógeno e o endógeno.

O medo exógeno é o que surge de uma situação que apresenta perigo real e ameaça à integridade da vida. Entre os animais pode ser o ataque de um predador, uma mudança climática repentina no meio, que requer uma ação imediata. Entre os Humanos, um assalto, guerra, desastres, agressão física, etc.

Ou seja, o medo exógeno é uma ameaça real que surge de fora, não é inerente ao Ser.

O medo endógeno, é aquele que surge no interior do ser, as vezes, por aprendizagem, um animal pode ter medo de trovões, depois que enfrentou uma tempestade violenta, a experiência não foi nada agradável, e ele passa a ter medo até do som de trovões. Com o tempo o animal pode perceber que não há mais razão do medo, e passa a não apresentar mais o sentimento toda vez que chove.

O mesmo acontece com os seres humanos, ao passar por uma situação real de ameaça, pode desenvolver medo de situações semelhantes, por exemplo, após um assalto em uma rua escura, pode sentir insegurança toda vez que passar por outra rua escura, mas, com o passar do tempo tente a se libertar do medo.

Até aqui tudo bem, se tratou da origem do medo, como uma coisa inteiramente normal e esperada.

Porém o Homo sapiens, com o passar do tempo foi refinando a estrutura do medo, conforme as sociedades foram ficando mais complexas, esse sentimento foi se infiltrando em várias situações e ganhando novos significados.

Hoje muitas angustias vividas tem sua origem no que Mira y Lópes (1896-1964) chamava de gigante negro da alma, ou seja, o medo.

Vive-se hoje em uma sociedade globalizada, onde as exigências são cada vez maiores para os indivíduos.

Tem-se que ser magro, bonito, eficiente, bem sucedido, bom companheiro, amigo, amante, bom pai/mãe, vestir roupas caras, ser inteligente, sagaz, possuir cada vez mais bens, ser feliz virou uma obrigação.

O indivíduo que não alcança esses objetivos é taxado de derrotado.

Quem por qualquer motivo não atingir esses objetivos cada vez mais inatingíveis, ou seja, a grande maioria de sujeitos no mundo, tem sua autoestima afetada, de forma muitas vezes insuportável.

A partir daí, começam a surgir vários sintomas que se não detidos em tempo, se transformam em uma tônica para uma vida infeliz e insatisfatória em vários níveis.

Entre esses sintomas tem-se a raiva, ansiedade, depressão, desqualificação pessoal (autoestima muito baixa), mal humor, variação do humor constante, perda do ânimo de viver, medo de crescer, amadurecer, enfrentar a vida, etc.

Ao atingir esse grau o sujeito passa a se enxergar, como vítima da situação, onde não há mais perceptiva de mudanças e melhora da qualidade de vida.  

O indivíduo procura uma saída, mas, não encontra uma, nem meios de ação para sair do beco em que foi parar. É sem dúvida uma situação angustiante e que provoca muito sofrimento.

Contudo sempre à uma solução, por mais angustiante que seja a situação.

A conscientização que todos têm medo de algo, identificar seu próprio medo e enfrenta-lo.

Saber que é um ser único, assim não se comparar com os indivíduos ao seu redor, estabelecer objetivos possíveis, como se fosse uma escada, um degrau por vez.

Finalmente se não conseguir sozinho, saber que isso não é fracasso, mas, que precisa de ajuda para atravessar esse umbral, essa etapa da vida e que existem pessoas que podem ajudar, um amigo, um profissional.

Lembrando que sempre há um meio disponível, procure a porta de saída mais próxima e expulse seu medo da sua vida.

Ninguém está condenado a sofrer eternamente, viva de forma plena sua vida, do jeito que quiser.

O destino do ser humano é a felicidade, nenhum outro, não aceite menos.

 
 
Referências Bibliográficas

 

GAGLIANO, Monica; MANCUSO, Stefano; ROBERT, Daniel. Trends in Plants Science. Canada: 2012.

MIRA Y LÓPEZ, Emilio. Quatro Gigantes da Alma. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.
 

 

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