Na escala de desenvolvimento da vida, o primeiro sentimento
a surgir entre os seres vivos é o medo.
Todos os organismos sem exceção, apresentam esse
sentimento, deste os organismos unicelulares até os mais complexos, inclusive
as plantas, pesquisadores como Monica Gagliano, Stefano Mancuso e Daniel Robert
(2012), comprovaram em laboratório, que além de se comunicarem as plantas
apresentam sentimentos, entre eles o medo.
Quaisquer seres unicelulares ao ser ameaçado pelas mudanças
adversas no seu habitat apresentam comportamento de recuo e fuga,
caracterizando o medo.
Esse sentimento surge para que o organismo, seja ele qual
for, possa se defender e garantir sua sobrevivência.
Portanto o medo é um sentimento natural e benéfico quando
se refere a proteção do ser.
Pode-se afirmar que existem dois tipos de medo, o exógeno e
o endógeno.
O medo exógeno é o que surge de uma situação que apresenta
perigo real e ameaça à integridade da vida. Entre os animais pode ser o ataque
de um predador, uma mudança climática repentina no meio, que requer uma ação
imediata. Entre os Humanos, um assalto, guerra, desastres, agressão física,
etc.
Ou seja, o medo exógeno é uma ameaça real que surge de
fora, não é inerente ao Ser.
O medo endógeno, é aquele que surge no interior do ser, as
vezes, por aprendizagem, um animal pode ter medo de trovões, depois que
enfrentou uma tempestade violenta, a experiência não foi nada agradável, e ele
passa a ter medo até do som de trovões. Com o tempo o animal pode perceber que
não há mais razão do medo, e passa a não apresentar mais o sentimento toda vez
que chove.
O mesmo acontece com os seres humanos, ao passar por uma
situação real de ameaça, pode desenvolver medo de situações semelhantes, por
exemplo, após um assalto em uma rua escura, pode sentir insegurança toda vez
que passar por outra rua escura, mas, com o passar do tempo tente a se libertar
do medo.
Até aqui tudo bem, se tratou da origem do medo, como uma
coisa inteiramente normal e esperada.
Porém o Homo sapiens,
com o passar do tempo foi refinando a estrutura do medo, conforme as
sociedades foram ficando mais complexas, esse sentimento foi se infiltrando em várias
situações e ganhando novos significados.
Hoje muitas angustias vividas tem sua origem no que Mira y Lópes
(1896-1964) chamava de gigante negro da alma, ou seja, o medo.
Vive-se hoje em uma sociedade globalizada, onde as exigências
são cada vez maiores para os indivíduos.
Tem-se que ser magro, bonito, eficiente, bem sucedido, bom
companheiro, amigo, amante, bom pai/mãe, vestir roupas caras, ser inteligente,
sagaz, possuir cada vez mais bens, ser feliz virou uma obrigação.
O indivíduo que não alcança esses objetivos é taxado de derrotado.
Quem por qualquer motivo não atingir esses objetivos cada
vez mais inatingíveis, ou seja, a grande maioria de sujeitos no mundo, tem sua autoestima
afetada, de forma muitas vezes insuportável.
A partir daí, começam a surgir vários sintomas que se não detidos
em tempo, se transformam em uma tônica para uma vida infeliz e insatisfatória
em vários níveis.
Entre esses sintomas tem-se a raiva, ansiedade, depressão,
desqualificação pessoal (autoestima muito baixa), mal humor, variação do humor constante,
perda do ânimo de viver, medo de crescer, amadurecer, enfrentar a vida, etc.
Ao atingir esse grau o sujeito passa a se enxergar, como vítima
da situação, onde não há mais perceptiva de mudanças e melhora da qualidade de
vida.
O indivíduo procura uma saída, mas, não encontra uma, nem
meios de ação para sair do beco em que foi parar. É sem dúvida uma situação
angustiante e que provoca muito sofrimento.
Contudo sempre à uma solução, por mais angustiante que seja
a situação.
A conscientização que todos têm medo de algo, identificar
seu próprio medo e enfrenta-lo.
Saber que é um ser único, assim não se comparar com os indivíduos
ao seu redor, estabelecer objetivos possíveis, como se fosse uma escada, um
degrau por vez.
Finalmente se não conseguir sozinho, saber que isso não é
fracasso, mas, que precisa de ajuda para atravessar esse umbral, essa etapa da
vida e que existem pessoas que podem ajudar, um amigo, um profissional.
Lembrando que sempre há um meio disponível, procure a porta
de saída mais próxima e expulse seu medo da sua vida.
Ninguém está condenado a sofrer eternamente, viva de forma
plena sua vida, do jeito que quiser.
O destino do ser humano é a felicidade, nenhum outro, não aceite
menos.
Referências Bibliográficas
GAGLIANO, Monica; MANCUSO, Stefano; ROBERT, Daniel. Trends in Plants Science. Canada: 2012.
MIRA Y
LÓPEZ, Emilio. Quatro Gigantes da Alma.
Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.


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