O ser humano apesar de pertencer à uma só espécie, Homo sapiens, não importando sua
localização geografia, etnia, religião, etc. Possuem necessidades básicas que são
inerentes, a qualquer indivíduo, como amar e ser amado, ter o sentido de pertencer
à algo ou algum grupo.
Apesar de ter fatores em comum, que são próprios da espécie
a que pertence, cada ser humano é um universo por si só, um mundo particular, a
ser desvendado e respeitado.
Alguns aspectos do desenvolvimento são esperados no
decorrer da vida do indivíduo, existe um padrão, porém nem todos os sujeitos alcançam
o ápice desse desenvolvimento que Carl G. Jung, determinava como a
individuação.
A fixação em alguma fase desse desenvolvimento pode ocorrer
por diversos motivos, ligados à história pessoal de cada um.
Das várias fixações possíveis, a mais comum encontrada, em diversos
grupos humanos, é a não identificação do outro, a não percepção que o outro
apesar de ser semelhante, pode e deve ser diferente.
Um exemplo clássico dessa situação e quais as consequências
disso, podem ser encontradas na chegada dos jesuítas no solo brasileiro, ao se
deparar com a cultura indígena, os europeus, não sabiam como lidar com essa
população tão diferente de tudo o que já tinham visto.
Essas sociedades possuíam sistemas próprios de governo, com
uma linguagem própria e cultura totalmente diversa, do que tinha sido
encontrada até então. Apesar de serem várias “nações” indígenas, elas
conseguiam conviver entre si. Havia empates entre elas, mas até isso fazia
parte da dinâmica cultural, existente entre elas e que eram respeitadas por
todos os envolvidos, não possuíam um “deus”, a mitologia deles discorria sobre
os ancestrais e não um deus todo poderoso. Tupã (mitologia guarani) não era um
deus e sim um ancestral, o conceito de “deus” não existe nessas culturas, como
na cultura ocidental. Viviam em “comunas”, onde os pertences pessoais existiam,
mas a grande maioria dos objetos pertenciam a todos, inclusive as ocas
(moradia) desses povos.
O canibalismo era uma constante entre eles, mas era um
ritual, onde as qualidades, o “espirito” passava a integrar a todos que
participavam desse ritual, então o indivíduo não morria, continuava vivo, agora
fazendo parte do seu grupo, se tornava imortal.
Como assimilar um povo com diretrizes tão diferentes?
Os europeus simplesmente, começaram a lidar com essas culturas
como tratavam os hereges na Europa e assim, sem perceber também fizeram um
canibalismo cultural.
Hoje muito pouco resta dessas culturas, para se ter uma
visão, é preciso recorrer aos manuscritos dos próprios jesuítas da época e
filtrar esses documentos.
Normalmente é assim que o ser humano enfrenta o diferente,
não reconhecendo o outro como um igual.
O que está por trás desse comportamento?
O medo.
Quando não há maturidade emocional e intelectual para
aceitar o outro com suas diferenças, surge o medo do diferente, pois ao aceitar
“modos” de vida ou posições diferentes, o sujeito corre o risco de estar errado
em suas suposições sobre a realidade, assim perder seu referencial de certo e
errado.
Não aceitando que suas “crenças” ou modo de vida podem ser contrário
aos interesses de outros, o seu jeito é o certo, e deve servir para todos.
O medo de perder sua identidade como individuo se torna insuportável,
assim, é mais fácil agredir o outro, aniquila-lo, ante a possibilidade de
aniquilação dos seus conceitos.
A solução?
Crescer. Ampliar seus conceitos, interagir com o outro, se
abrir para novas e surpreendentes realidades e possibilidades, aceitar que nem
sempre somos detentores da verdade.
O mito greco-romano de Alethéia ou Veritas, a deusa da
verdade, possuía um espelho que refletia toda a verdade existente no universo,
mas, vivia triste e insatisfeita com o aumento das mentiras entre os humanos,
assim ela se retira do mundo e vai morar em um poço profundo, aqueles que iam
em busca da verdade (Alethéia) tinham que descer o poço, porém Alethéia não
permitia mais que os buscadores saíssem do poço, eles tinham que ficar com ela.
Assim a verdade se perdeu para os mortais, não há mais o
espelho que reflete a verdade da realidade.
Temos somente uns aos outros, nós somos os espelhos que se
refletem as diferentes formas da “verdade”. Isso deve bastar.




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