Os contos de fadas possuem características
peculiares que os tornam como grandes ferramentas de autoconhecimento, de valor
para a clínica psicológica.
A origem do conto de fada remonta-se aos
primórdios da historia humana, geralmente, o conto não possui autor conhecido, modifica-se
com o passar do tempo, por exemplo, se comparar um conto da época medieval e os
que são contados hoje, eles são completamente diferentes. Isto se dá por que a
moral e os costumes mudam conforme a época.
Os antigos celtas, egípcios, romanos,
etc. já relatavam esses contos.
Por exemplo, o conto do Aladim tem
origem na China e depois foi incorporado pelos árabes, só depois veio para o
ocidente.
O conto da Bela e a Fera é francês. O da
Branca de Neve da Europa Oriental, a Pequena Sereia é holandês, e assim por
diante.
Outra caracteriza do conto de fada é ele
ser universal, se for contado para qualquer criança, de qualquer etnia, em
qualquer lugar do mundo será compreendido.
Porém, uma coisa todos tem em comum, o
conto de fadas é uma narrativa da trajetória da “alma”, ele traduz as várias
etapas da jornada da personalidade para seu pleno desenvolvimento.
Esse significado oculto, não se modifica
com as mudanças que ocorrem com o passar do tempo, essa adequação que sofrem a
cada época.
Isso é muito interessante, é como se uma
linguagem cifrada estivesse escondida por trás dessas histórias, que sempre nos
cativaram mensagens essas, que provém dos ancestrais e se mantém atuais.
Quantos filmes atuais são uma releitura
dos contos de fadas? Eles são modernos e populares, tanto hoje em dia, como
foram em épocas mais remotas.
Quando uma pessoa se identifica com um
determinado conto, isso indica que esse conto específico traduz o cerne da
personalidade dessa pessoa especifica, nesse momento presente que ela está
vivenciando.
Ao analisar o conto em que a pessoa se
identifica, indica ao psicólogo muito sobre essa pessoa.
Saber fazer uma interpretação do conto é
de grande ajuda, para entender as transformações da vida dos indivíduos.
Por exemplo: normalmente o personagem
central da historia não tem mãe, muitos personagens tem madrasta. Peguemos o
conto da Branca de Neve.
O papel da mãe muda conforme a criança
vai se desenvolvendo, assim quando ela nasce o papel da mãe é de acolhimento e
proteção, conforme a criança cresce, a mãe deve deixar de acolher e preparar a
criança para o mundo, assim ela deve muitas vezes “empurrá-la” para vida.
Surge então à mãe “madrasta”, o que
seria da Branca de Neve se a madrasta não a tivesse expulsado?
Ela não teria se virado e descoberto
seus potenciais, não teria encontrado os sete anões (as sete virtudes da alma)
e nem o príncipe encantado (seu outro lado), o príncipe encantado, geralmente
não tem nome. Pois, não representa uma pessoa, mas sim uma faceta da própria personalidade,
o oposto que completa.
Como dá para perceber os contos de fadas
são muito mais complexos do que uma simples história para criança dormir, ele
traduz muita coisas do que somos.
E viveram felizes para sempre...






