sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um Conto de Natal



Naquela Noite...


 Naquela noite de natal, papai Noel descendo a rua, suado e risonho tem em uma das mãos o saco vermelho cheio de promessas na outra um sino que faz um som de riso na quente noite de verão.



A casa da esquina que se dirige está toda enfeitada de luzes piscantes que traduzem a alegria e esperanças que a noite anuncia. Ao tocar a campainha é recebido por abraços e beijos de um jovem casal. Atrás crianças com seus gritos festivos o recebem com amor.
Após a lauda ceia, os três adultos se sentam no sofá observando as crianças que brincam com seus novos brinquedos perdidos em sonhos. Elas são apenas, um menino com cerca de sete anos e cabelos cacheados, olhos azuis e seus dois irmãos gêmeos menores.
A mãe com o olhar perdido no tempo suspira se dirige ao marido e fala:
- Naquela noite você salvou minha vida.  Eu vinha do enterro do meu primeiro marido e meu filho recém nascido, mortos em um acidente de carro. Ao entrar naquele ônibus estava pedindo somente uma segunda chance, quando ouço o som de choro de um bebê, olho do lado e vejo um homem dormindo e uma pequena trouxa que se mexe do lado berrando a pleno pulmões, pensei mais um infeliz que perdeu alguém que ama. Nada mais natural pensei que pegar aquele pequeno ser e levá-lo ao seio para consolá-lo, neste momento você me olhou e sorriu neste instante tudo passou, o presente se transformou em uma promessa de futuro, dei o braço a você e saímos do ônibus começar uma nova vida. O passado descansando em lembranças, as cicatrizes curadas, o futuro uma promessa.

O marido olhou assustado para a mulher e disse:
- Naquela noite, pela centésima vez briguei com meu pai, ele me pos para fora de casa dizendo que eu era um vagabundo e que não queria me ver nunca mais. Entrei naquele ônibus sem saber para onde ir, sentei no banco e fiquei perdido, pedindo uma segunda chance, quando eu olho do lado vejo você amamentando o bebê, você sorriu para mim e saímos do ônibus de braços dados para começar uma nova vida,
- O passado não importava mais uma vez que você confiou que eu pudesse te ajudar, a partir dali nunca questionei o passado, não era hora de relembrar os erros, mas sim de construir um futuro.
O papai Noel já sem sua barba sorriu para os dois e disse:
- Naquela noite, vinha pensando o que eu tinha feito da minha vida, dirigia aquele ônibus anos sem conta, todo dinheiro que conseguia, bebia sem dó, estava pensando que eu só tinha uma casa vazia para passar a noite de natal, sozinho sem família, estava pensando o que eu faria se tivesse uma segunda chance. Neste instante senti uma mão em meu ombro, era um senhor de cabelos brancos seu rosto escuro como a noite e me disse;
- Segundas chances acontecem, feliz natal.
- Ao virar o rosto para vê-lo melhor não o vi mais, em seu lugar vi você saindo do ônibus no ponto final, perdidos e com um sorriso nos rostos cansados, nada mais natural do que convidá-los para passar aquela noite comigo. Nestes anos todos, os vi construírem um lar, progredirem sucessivamente em todos os seus empreendimentos com muita garra e amor.
 Não era hora de pensar no passado e sim sonhar com o futuro, afinal eu ganhara minha segunda chance de ter uma família.
Os três se calaram olhando assustados para o menino de cabelos cacheados e disseram ao mesmo tempo.
- Se ele não é seu... Quem? ... De onde? ...
O menino olhou para os adultos sorrindo e dirigiu seu olhar para o alto da árvore de natal onde estava seu enfeite preferido, um anjo em roupas e cabelos brancos, asas douradas e o rosto tão escuro como a noite, este olhou para o menino e piscou. O menino tranquilamente voltou a brincar com seus irmãos, naquela noite de natal.



           FELIZ NATAL

             

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Inconsciente Coletivo x Consciente Coletivo


Carl Gustav Jung, (1875-1961) afirmou que toda emoção consciente, ou seja, aquela que se está se sentindo no momento, tem sua contrapartida no inconsciente individual. Por exemplo, no período que está sentindo amor por alguém, a sombra desse amor é o ódio, a sombra da alegria é a tristeza.

Essas emoções existem como se fosse uma gangorra, cada instante é uma que aflora, dependendo dos acontecimentos do dia-a-dia e do meio à volta.




 
 
O mesmo autor discorria sobre dois tipos de inconsciente, o inconsciente individual que se restringia à um determinado sujeito e o inconsciente coletivo que envolve todos os seres.

O inconsciente coletivo, armazena toda a história da humanidade, toda a vivência individual, forma um oceano de arquivos que abrangeria todas as situações já vividas ou emoções. Seria como cada gota que forma esse oceano, fosse um indivíduo, todas as gotas juntas formam o próprio oceano.

 
Cada indivíduo espelha essa vivência coletiva, na sua própria vida, cada um, dependendo da sua história de vida, se relaciona com esse inconsciente coletivo de uma forma específica, por isso há uma infinidade de formas para se relacionar com essa herança, de todas as pessoas que já viveram, vivem ou viverão.

O inconsciente, seja ele individual ou coletivo, não conhece espaço nem tempo. Então as possibilidades são incontáveis.

Usando o preceito de Jung, que toda a manifestação do aparelho psíquico tem, sua contrapartida, o inconsciente coletivo tem a consciência coletiva.

A consciência coletiva, seria o ápice do desenvolvimento humano, onde o indivíduo chega a se conhecer como entidade própria, se conhecer, e aprendeu a reconhecer o outro, respeitá-lo como tal, ainda perceber e sentir que faz parte de algo muito maior do que a simples existência do seu mundinho.

A consciência coletiva é mais do que a individuação descrita por Jung, por que a individuação é o autoconhecimento, enquanto que, a consciência coletiva é um passo a mais, o autoconhecimento e o conhecimento das outras esferas que o cercam.

 
 
Percebe-se que existem vários “mundos” que podem conviver, interagir, sem que aja a necessidade de suplantar o outro por qualquer razão. Por que no fundo todos são iguais, só que uns estão em uma fase de desenvolvimento diferente de outros, mas o caminho percorrido é o mesmo para todos, um caminho que já foi percorrido pelos antepassados e será percorrido pelos descendentes.

 

 

sábado, 8 de novembro de 2014

PSICOTERAPIA


 
 
A PSICOTERAPIA AUXILIA A ENFRENTAR OS MEDOS, ANSIEDADES, NOS RELACIONAMENTOS, SABER POR QUE AGIMOS COMO AGIMOS.

ENFIM A PSICOTERAPIA LIBERTA.    

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Psicologia do Arquétipo


Todos os dramas já foram vividos. Todas as peças encenadas, só mudam os figurinos.
Para entender o que são os arquétipos (Arqué do grego arché: principal ou princípio. Tipos, do grego túttiç: impressão marca).
Muitos filósofos da antiga Grécia já discorriam sobre os Arquétipos, como: Platão, Plotino, Porfírio.
Até Agostinho, filosofo cristão, que difundiu esse conceito.
Porém Carl Gustav Jung o incluiu na sua teoria analítica.
Para se compreender seu real significado precisa-se abarcar um pouco da teoria do inconsciente coletivo do mesmo autor.
Imagina uma casa que tem uma fiação elétrica em todos os seus cômodos, cada cômodo em particular pode funcionar independentemente dos outros, assim pode-se acender a luz, ligar a televisão, ouvir música, sem interferir, com os outros cômodos da casa. Mas a corrente elétrica é a mesma na casa toda, inclusive fora dela, como nos postes da rua, semáforos, etc.



O inconsciente coletivo é essa força que liga, percorre, cada ser vivo que existe ou existiu na face da Terra. Poder-se-ia até afirmar o Universo.
Para ele não existe tempo nem espaço, todas as vivências, todas as histórias do mundo estão depositadas no inconsciente coletivo, pode-se compara-lo como um grande arquivo, onde essas imagens estão armazenadas por ordem, de emoções e assuntos, e qualquer pessoa em qualquer canto do mundo pode acessa-lo.
Quando descreveu o inconsciente coletivo Carl G. Jung, esparrou na teoria Quântica.
Os Arquétipos são justamente a imagem que foi gravada no inconsciente coletivo sobre essas vivencias. Assim como ocorre no sistema nervosos, onde uma experiência, repetida várias vezes cria um caminho sináptico, onde vira um habito ou um vício.
As mesmas histórias vividas encenadas durante gerações acabam gravadas no inconsciente coletivo, tornando-se Arquétipos.
Por exemplo: Quantos tipos de mãe já existiram durante o tempo de existência do Homo sapiens? Já existiu mãe boa, mãe que abandona, mãe que ama demais, mãe que mata. Todas essas vivencias estão gravadas no inconsciente coletivo e formam o Arquétipo da Mãe.

O mesmo ocorre com o herói, pai, deus menino, ancião, etc. Cada um deles é fruto das várias histórias que o Homem já viveu e vive. Formando um arquivo, uma imagem arquetípica dele próprio.
Por sua vez cada indivíduo se relaciona com um arquétipo a partir da sua própria história pessoal, sua vivencia, com sua mãe, seu pai e todos ao seu redor. E também deixa gravado sua narrativa de vida no inconsciente coletivo.
Dependendo desse relacionamento do indivíduo com o “arquivo conjunto” de todos os seres e a forma como o sujeito terá uma visão particular do mundo.
Se for um relacionamento positivo o indivíduo conseguirá ter uma realização mais plena, caso contrário será um derrotista.
Ao se entender como ocorrem essas simbioses, pode-se mudar o paradigma e elevar a consciência do sujeito para uma realização mais satisfatória. E um relacionamento mais profícuo com o Arquétipo. O sujeito conseguirá mais prazer na sua existência.
Por isso deve-se fazer o máximo para ser positivo, realizado, pois sua história interfira na história da humanidade, todos são importantes.
Não importa o nível social, etnia, nacionalidade, cultura, aptidões sexuais, todos são humanos, todos são iguais e contribuem para a evolução da humanidade.
          

            

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Psicologia do Conto de Fadas


Os contos de fadas possuem características peculiares que os tornam como grandes ferramentas de autoconhecimento, de valor para a clínica psicológica.
A origem do conto de fada remonta-se aos primórdios da historia humana, geralmente, o conto não possui autor conhecido, modifica-se com o passar do tempo, por exemplo, se comparar um conto da época medieval e os que são contados hoje, eles são completamente diferentes. Isto se dá por que a moral e os costumes mudam conforme a época.
Os antigos celtas, egípcios, romanos, etc. já relatavam esses contos.
Por exemplo, o conto do Aladim tem origem na China e depois foi incorporado pelos árabes, só depois veio para o ocidente.
O conto da Bela e a Fera é francês. O da Branca de Neve da Europa Oriental, a Pequena Sereia é holandês, e assim por diante.
Outra caracteriza do conto de fada é ele ser universal, se for contado para qualquer criança, de qualquer etnia, em qualquer lugar do mundo será compreendido.
Porém, uma coisa todos tem em comum, o conto de fadas é uma narrativa da trajetória da “alma”, ele traduz as várias etapas da jornada da personalidade para seu pleno desenvolvimento.
Esse significado oculto, não se modifica com as mudanças que ocorrem com o passar do tempo, essa adequação que sofrem a cada época.
Isso é muito interessante, é como se uma linguagem cifrada estivesse escondida por trás dessas histórias, que sempre nos cativaram mensagens essas, que provém dos ancestrais e se mantém atuais.
Quantos filmes atuais são uma releitura dos contos de fadas? Eles são modernos e populares, tanto hoje em dia, como foram em  épocas mais remotas.
Quando uma pessoa se identifica com um determinado conto, isso indica que esse conto específico traduz o cerne da personalidade dessa pessoa especifica, nesse momento presente que ela está vivenciando.
Ao analisar o conto em que a pessoa se identifica, indica ao psicólogo muito sobre essa pessoa.
Saber fazer uma interpretação do conto é de grande ajuda, para entender as transformações da vida dos indivíduos.
Por exemplo: normalmente o personagem central da historia não tem mãe, muitos personagens tem madrasta. Peguemos o conto da Branca de Neve.
O papel da mãe muda conforme a criança vai se desenvolvendo, assim quando ela nasce o papel da mãe é de acolhimento e proteção, conforme a criança cresce, a mãe deve deixar de acolher e preparar a criança para o mundo, assim ela deve muitas vezes “empurrá-la” para vida.
Surge então à mãe “madrasta”, o que seria da Branca de Neve se a madrasta não a tivesse expulsado?



Ela não teria se virado e descoberto seus potenciais, não teria encontrado os sete anões (as sete virtudes da alma) e nem o príncipe encantado (seu outro lado), o príncipe encantado, geralmente não tem nome. Pois, não representa uma pessoa, mas sim uma faceta da própria personalidade, o oposto que completa.
Como dá para perceber os contos de fadas são muito mais complexos do que uma simples história para criança dormir, ele traduz muita coisas do que somos.






 E viveram felizes para sempre...


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Conciência individual


Como já foi discutido breve relato do desenvolvimento da consciência na espécie humana, agora se discorrerá sobre o desenvolvimento da consciência individual e sua correlação com a própria espécie.

A consciência que será discutida não é a que tem como definição da consciência medica, essa afirma que bastar estar acordado para se estar consciente. Nem de algumas escolas de psicologia que afirmam que a consciência é “o aqui e agora”.

A consciência que se refere aqui é mais ampla, é o sentido de ser e pertencer.

Saber quem somos e perceber que ao mesmo tempo fazemos parte indissolúvel do próprio universo e de todos os seres nele existente.

O bebê ao nascer não tem consciência própria, sua identidade está diluída com a consciência da mãe, assim ele é a mãe são um só.

Esta etapa é muito semelhante ao primeiro estágio de desenvolvimento da consciência na própria espécie humana.

Conforme vai se desenvolvendo, passa a perceber a existência de outras pessoas ao seu redor, principalmente a figura do pai.

Sua consciência, então se direciona para as figuras paternas, eles passam a representar a maior autoridade, figuras de poder, o que eles dizem ou pensam a respeito da criança tem uma importância fundamental para ela, a criança é capaz de qualquer coisa para agradar os pais, até mudar sua conduta interna para agrada-los.

Aqui a semelhança se dá com a espécie onde a consciência coletiva se concentra nas figuras de poder, como reis ou sacerdotes. Ou seja, os pais são para a criança as figuras de poder, com direitos de vida ou morte sobre ela, assim como os reis ou sacerdotes tinham sobre a população em geral que podiam mandar os indivíduos para uma guerra em nome de algo que o povo geralmente nem compreendiam.

Passando essa etapa do desenvolvimento, a criança tem uma compreensão maior do mundo que a cerca e começa a se perceber como um indivíduo, a consciência se transfere para o próprio eu. Normalmente isso ocorre na adolescência, onde começa o refrão “Eu quero”.

O adolescente nessa etapa não consegue ver o outro, se colocar na situação do outro, tudo é extremista, seus interesses, seus sofrimentos, nessa equação o outro entra somente como reflexo de si mesmo.

Mais ou menos a etapa que a humanidade se encontra, mostrando sinais de transição para outra etapa de seu desenvolvimento.

Essas transições não se dão de uma hora para outra, elas ocorrem pausadamente e vão se mesclando entre si até a nova etapa estar consolidada.

Porém o adolescente cresce, e mais uma vez a consciência vai transferir seu foco, agora, o adolescente começa a perceber o outro, percebe que ele não é o centro do mundo. Interage com o mundo de forma totalmente diferente, quer mudar o mundo, mas do seu jeito, ainda não consegue aceitar que os outros possam ser diferentes ou quer algo que não seja do seu próprio jeito.

O desenvolvimento não para agora, já adulto começa a perceber que nem sempre o que ele quer ou pensa tem correspondência ao que os outros querem começa a respeitar o querer do outro.

A consciência nessa etapa vai se expandindo, ele sabe o que ele é, porém também consegue enxergar o que o outro é e respeitar.

Finalmente, a consciência atinge seu ponto máximo em alguns indivíduos mais cedo do que outros, a consciência faz o indivíduo perceber que ele é único no universo ao mesmo tempo que ele é uno com esse universo.

Mantem sua personalidade intacta e a integra com todos os seres, afinal não há diferenças entre um entre um animal, uma planta, um mineral, as estrelas e o próprio homem e ao mesmo tempo existe uma diferença enorme entre cada um.

Claro que essa explanação é uma tentativa resumida de explicar essas etapas do desenvolvimento da consciência, e que esse processo pode ficar em entanque em algumas etnias ou indivíduos.

Isto quer dizer que nem todos atingem o ápice do desenvolvimento da consciência, seja um grupo humano ou um indivíduo em particular, alguns ficam presos em alguma etapa desse desenvolvimento por diversas razões.

Quando mais sujeitos ou grupos humanos vão chegando a essa etapa, mais os outros que ficaram para “trás” são “puxados” para o passo seguinte.

Por isso que importante que cada indivíduo perceba que sua história pessoal tem importância crucial na história da própria humanidade, seja ele quem for do mais humilde ao mais sábio dos sábios, todos são importantes.

Não importa quem somos, somos UM.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Origem dos Mitos






O Homo sapiens começou realmente se diferenciar dos seus semelhantes a partir da descoberta do fogo, com isso conseguiu se alimentar melhor, mas também começou a ter mais horas de sono, pois com o fogo eles conseguiam ter mais segurança, uma vez que a maioria dos predadores tem medo do fogo.

Com isso o cérebro humano se desenvolveu mais depressa.

Com mais horas de sono vieram os sonhos, o cérebro pode assimilar e coordenar melhor suas funções neurais, aumentando sua capacidade e complexidade.

O pensamento se torna mais abstrato, com um poder de simbolismo mais abrangente. Com o aumento do período de sono começam a surgir as figuras oníricas e o contato com os deuses.

“A substancia de que somos feitos é igual à dos sonhos e entre um sono e outro decorre a nossa curta vida”. (Shakespeare)

 

O sonho está presente até mesmo nas representações artísticas em uma tentativa de entendimento dos fenômenos que cercam os Homens. Sonho, fruto da evolução do cérebro humano em seu caminho para a formação da sua identidade.

O cérebro é certo, o fruto de um processo genético lento, mas efetivo, através das eras, os determinismos genéticos, que agiriam no sono paradoxal e nos sonhos, seriam uma espécie de pré-programa para o desenvolvimento psíquico e cognitivo que se desenvolveria na temporalidade.

Assim o sonho também está relacionado com a formação da imaginação e linguagem em última análise seria o motor condutor da inteligência simbólica, o indivíduo seria capaz agora a criar e recriar o mundo em si e no mundo real.

A partir desse fenômeno começam a surgir os mitos que tentam dar uma ordem no caos que até então os Homens viviam, ou seja, tentar dar um sentido no mundo em que os Homens existiam.

 

A função do mito é como se fosse um caminho que leva o sujeito a uma transformação, desprendendo-o de suas condições históricas locais e conduzindo-o a um tipo de experiência inefável, ao mesmo tempo prende-o ao seu sistema familiar de valores, atividades e crenças historicamente condicionados.

A origem do mito permite a procedência de uma pluralidade de expressões possíveis que não conseguem promulgar a totalidade da realidade, mas sim a discrepância do Homem e sua relação com o mundo. Do mito surge a criatividade humana e dos arranjos que caracterizam a personalidade.

A concepção do mito é um artificio da mente humana que promulga o ilimitado orbe dos sonhos.

A partir dos sonhos cada vez mais elaborados os Homens tentam dar um sentido em seu universo através dos mitos, assim cada etnia cria sua simbologia para explicar sua realidade, que de outra forma não faria sentido.

 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

IV. Consciência


      Com o tempo a população humana foi crescendo uma vez que os homens já haviam aprendido onde e como encontrar alimentos, a dificuldade de locomoção se tornaram grandes, pois como transportar tantas pessoas e coisas de um lugar para outro assim surgiu a necessidade de dos seres humanos se tornarem sedentários. Começaram a viver em um só lugar onde pudessem plantar e criar animais que se tornaram domesticados.
       Esse processo se deu de uma forma lenta e gradual, não foi de uma hora para outra.
O mito de Caim e Abel se refere a essa fase de transição. Caim era sedentário e Abel era nômade. Quando Caim matou Abel. Ele matou um modo de vida.
        Alguns estudiosos afirmam que Stonehenge na Inglaterra seria um monumento para facilitar essa transição.
        Os povos nômades seguiam o ciclo lunar, para se tornarem sedentários era necessário que seguissem o ciclo solar. Ciclo necessário para o cultivo de vegetais.
        Essa construção antiga em pedra teria como finalidade facilitar e justificar essa transição do modo de vida dos povos antigos.
          
        Mesmo se tornando sedentários a consciência deles, ainda era grupal, não havia uma diferenciação da consciência coletiva.
       Um bom exemplo é o povo celta dessa época, que viviam em pequenos agrupamentos independentes, mas não existia uma diferenciação entre seus membros, todos eram iguais.
        Quando os romanos invadiram a Grã Bretanha por volta do ano de 60 d. C. Foi Boadecea, considerada a primeira rainha celta que uniu as diversas tribos que viviam nas proximidades e conseguiram enfrentar os romanos, até então não havia uma identidade "nacional" entre os celtas ou uma hierarquia.
Conforme os povoamentos humanos foram crescendo, mais alimentos sobravam, assim começaram a surgir os líderes e os sacerdotes.
A consciência grupal foi se deslocando do grupo para a figura de autoridade, o chefe ou sacerdote era agora o foco da consciência, o grupo deixava de ter importância. O importante era garantir que a linhagem escolhida fosse preservada.
Essa condição se manteve durante séculos, até meados da idade média quando as dinastias reais foram sendo substituídas por outros tipos de lideranças.
A consciência começou a migrar mais uma vez, o foco deixou de ser o rei ou o sacerdote e passou para o indivíduo, o indivíduo começou a se perguntar qual sua função no esquema das coisas, como ele poderia viver mais e melhor.
A consciência se tornou egocêntrica, ou seja focada no indivíduo.
Por isso que, muitas pessoas se perguntam por que vivem-se em uma época onde impera o egoísmo.
Nesta fase que o Homo sapiens se encontra, porém começam a surgir vestígios da próxima etapa da consciência humana.
Que seria a consciência individual ampliada com a grupal, ou seja, o indivíduo se vê como uma identidade única dentro de uma totalidade grupal, ele faz parte de algo maior, a humanidade, o mundo, o universo.
A preocupação com o meio, os animais, as florestas, nada mais é do que os sintomas dessa ampliação de consciência do ser humano. A consciência que cada um é apenas uma gota no vasto oceano que é a vida, mas cada gota é importante para forma esse mesmo mar.
Qual seriam as outras etapas do desenvolvimento humano?
Para responder essa questão precisa-se discorrer sobre o desenvolvimento pessoal do ser humano e perceber como os dois estão interligados, o desenvolvimento individual e o desenvolvimento da humanidade.
O tema sobre o desenvolvimento individual será explanado em outro artigo.
Claro que esse desenvolvimento não se dá de forma homogênea em todas as etnias e nem em todo o indivíduo. Sendo que alguns ficam retidos em alguma etapa do desenvolvimento
Evidentemente que aqui se explanou sobre uma ideia que é muito vasta, para se compreender toda essa hipótese é necessário abranger várias áreas do conhecimento como: biologia, antropologia, psicologia, história, só para citar algumas.
Bibliografia:
CORNWELL. Bernard. Stonehenge. São Paulo: Record, 2008.
DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço. O Destino das Sociedades Humanas. São Paulo: Record, 1997.
_______. Colapso. Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso. São Paulo: Record. 2012.
NEUMANN, Erich. História da Origem da Consciência. São Paulo: Cultrix, 1968.
MITHEN, Steven. A Pré-História da Mente. São Paulo: UNESP. 1998.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

III. Limiar da Consciência


Hoje em dia os biólogos admitem que não há parâmetros para diferenciar os animais dos humanos.

Tudo aquilo que se acreditava que havia de diferente não é mais uma certeza. Por exemplo o humor, os animais têm senso de humor e sabem fazer brincadeiras.




Possuem cultura própria e a passam para seus descendentes.



 

Tem linguagem própria, chegando até ter dialetos, como as baleias e os golfinhos dependendo do grupo.



 

Possuem essência do belo e modificam seu ambiente.

 




Assim, quando se discorre sobre os animais não se tem condições de saber o grau de consciência deles, é o mesmo que se estivesse tentando dialogar com “extraterrestre”. Os humanos não os compreendem.

Muitos biólogos estão fazendo trabalhos nesta área e chegando a conclusões incríveis.

Porém sabe-se como o Homo sapiens desenvolveu sua consciência.

Quando os primeiros humanos surgiram eram nômades, coletores-caçadores.
 



Não havia ainda plantações, criação de animais, o homem ainda não tinha desenvolvido essas técnicas.

Todo o tempo disponível era gasto na procura de alimentação e esta não era muito abundante. A sobrevida de uma criança nessa época era cinco anos.

Os alimentos ainda eram disputados com outros animais, as ameaças eram muitas e de todas as formas: predadores, doenças, o tempo, etc.

A sobrevivência foi a maior preocupação, assim toda a ação visava a subsistência do grupo.

A consciência era grupal, não havia condições para o individualismo.

Tinham consciência do pertencer ao grupo, não havia a conjetura da sobrevivência sozinho ou de esconder qualquer coisa dos outros membros, pois se o grupo não sobrevivesse, o indivíduo também não conseguiria.

Desta forma os indivíduos sentiam que pertenciam ao grupo, eles eram o próprio grupo.
Indivíduo e grupo formavam uma unidade indissolúvel.

Com o tempo foram desenvolvendo técnicas de caça e coleta cada vez mais sofisticadas, em grupo podiam caçar animais cada vez maiores, assim começaram a desenvolver ferramentas mais elaboradas para caça e ferramentas para guardar e transportar seus objetos de uso cotidiano.

Perceberam o ciclo da natureza, onde e quando era mais propicio encontrar determinado alimento e estabeleceram rotas de passagens em períodos determinado do ano em certos terrenos.

Conforme os alimentos foram ficando mais abundantes, puderam dispensar alguns elementos do grupo para fazer tarefas especificas que não fossem a procura de alimentos, esses indivíduos se tornaram os primeiros artesões conhecidos. Agora alguns elementos do grupo podiam se ater na manufatura de armas para caça, artigos para facilitar o dia a dia, como transporte e mesmo os primeiros enfeites corporais.

Porém ainda não havia uma diferenciação importante dentro do grupo, todos possuíam os mesmos extratos sociais, a mesma unidade.   

 
 
Bibliografia:
MITHEN, Steven. A Pré-História da Mente. São Paulo: UNESP. 1998.