Vive-se em uma época em que a razão
abrange vários âmbitos da sociedade ocidental. Tudo e todos precisam de uma
explicação e demonstração científica para ser aceita como real, porém a busca
pelo Ser está no âmago dos homens a ciência ainda não conseguiu localizar
materialmente a necessidade dessa busca interna.
Assim se estabelece uma angustia de algo
que está “perdido”, uma ansiedade de algo que não se consegue identificar.
Os padrões da sociedade não são mais satisfatórios.
Posição social, reconhecimento em determinada área, não traduz o que realmente
o sujeito é, então fica o questionamento “Quem sou? ”
Queiroz (1996, p. 19) citando Küng, descreve como os
sistemas políticos, econômicos e religiosos não correspondem às necessidades
dos indivíduos ao criar um mundo superpovoado e pilhado em sua essência. Surge
um estado de desesperança e profunda angústia levando o Homem a um mergulho em
si mesmo em um mar de incomunicabilidade, parte em busca de alguém ou algo para
se apegar e dar sentido a sua existência e ao encontro de si mesmo. Contudo não
existe mais um único caminho, um único sentido, mas sim vários, infinitos, não
há mais um exclusivo centro. O que existe é uma constelação de fatores que lhe
oferece uma aura transitória e mutável, desprovida do antigo sentido de
filiação e engajamento. Não há domínio moral capaz de conectar permanentemente o
ser e a sociedade.
Todos esses encontros e desencontros formam
flutuações de humor, e através de seus questionamentos segue em busca pessoal e
coletiva.
Esta situação se caracteriza a aquisição
de caminhos novos para sua realização como uma identidade própria nesse âmbito
sem a intermediação direta das instituições religiosas, politicas, etc.
Ocorrendo a diminuição das autoridades, sobre o “eu”. Esta dinâmica que lembra
a imagem do mar em seus altos e baixos.
Para
tanto se apresentam com um predicado “nômade”, um traço de comportamento
adolescente que procura cisão com a autoridade vigente, o contexto familiar, as
figuras parentais, as figuras de poder, para se manter integro perante a si
mesmo.
O mito tem por função compreender o homem tornando-se um
modelo das atividades humanas. Pode ser compreendido “como uma realidade viva à
qual se está sempre recorrendo, como uma codificação do vivido” (PRADO, 2000, p.
27). Os mitos atuais revelam as potencialidades de expressão da forma
particular o sentido da religiosidade do homem ocidental contemporâneo entre a
individualidade e o coletivo. (FERRARI, 2001, p. 25).
O mito
do herói remete à figura do jovem, essa mesma imagem se encontra refletida na
busca desenfreada da sociedade contemporânea pela eterna juventude, o consumo
descomedido, a busca pelo corpo perfeito, que nos casos de modelos extremamente
magros espelham corpos imaturos, típicos dos jovens em formação. (DOMINGUES, PRÓCHNO,
2004, pp.147-156).
Percebemos que o adulto contemporâneo
vive como um adolescente, acreditando no mito da eterna juventude, reforçado
pelo consumo desenfreado de produtos que prometem a beleza e vida eterna ... (Ibid.
p.154)
Os
mesmos elementos que se encontram nos mitos atuais encontram-se entranhados na
mentalidade do Ocidente graças a todo um processo de miscigenação cultural e ao
sincretismo religioso. A mentalidade do homem ocidental, individualista sempre preocupado
com causas próprias e em provar socialmente seu valor por proezas e atos de
bravura. (Ibid).
Tudo isso constitui o seu dia a dia na luta da sua manutenção
e sobrevivência.
A identidade acompanha essas mudanças enfrentando os mesmos
desafios e fornece respostas às crises existenciais (ERIKSON, 1971) que os
novos tempos solicitam dos seus membros juntamente com os mitos atuais.
Osório (1989) levanta a hipótese que essas mudanças
vivenciadas na sociedade ocidental contemporânea, a transformação dos seus
mitos e da sua religiosidade refletem a crise de identidade que a sociedade
atravessa análoga aos adolescentes (OSÓRIO, 1989, p. 34). Não por acaso, que os
mitos atuais são representações de jovens, como o Neo (Matrix), artistas de
televisão, super-heróis que precisam o tempo todo provar seu valor para si e
para o grupo ao qual pertence. (FERNANDES, 2005, p.3). Estabelece, assim, sua
identidade como indivíduo e como grupo.
Vive-se em uma época que todos os preceitos estabelecidos são
questionados, nada mais é constante, fonte de conforto, a todo momento as “verdades”
pré-estabelecidas são questionadas, assim os indivíduos não reconhecem mais o
caminho que tem que trilhar, tudo deve ser questionado e restabelecido, simbolismo
claro de uma época de mudanças radicais, e toda mudança desse nível gera uma
gama de sentimentos conflitosos como: medo, ansiedade, depressão, etc.
Essa busca é individual e esses sentimentos só iram passar
quando o indivíduo se colocar inteiro frente ao “mar” de mudanças que a
sociedade atual invade todos os recantos do mundo.
A humanidade se encontra em um período de transição,
segundo a psicologia evolutiva, está mudando, se desenvolvendo rumo a um novo
patamar, esse período de transição pode ocorrer mais depressa ou mais
lentamente dependendo de cada um fazer sua parte, para que isso ocorra.
Por enquanto, não existe meio político, religioso, mídia,
sociedade em geral, que satisfaça ou acolha cada pessoa na face da terra.
Assim a busca do Ser continua, até alcançar sua plenitude,
primeiro individualmente, depois atingindo toda a espécie Humana.
ERIKSON,
Erik H. Infância e Sociedade. Rio de
Janeiro. Zahar. 1971.
____________ Identidade,
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