quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mitos: A Tomada da Conciência

 
O estudo comparado das mitologias de várias culturas não é uma coisa nova, autores com Joseph Campbell (1904-1987) e Mircea Eliade (1907-1986), foram grandes pesquisadores nesta área. Porém eles não tiveram acesso as pesquisas mais recentes sobre a antropologia atual. Como as pesquisas de Jared Diamond que será citado mais adiante.
Aqui mais uma vez, não há a intenção de esgotar o assunto, Mas, sim, de despertar a curiosidade para que mais pesquisas na área sejam feitas e demostrar como não somos seres isolados em grupos étnicos diferentes, nem que não exista relação uns com ou outros.
Muito pelo contrário, o Humano é um ser interligado com todos os membros da sua espécie, de uma forma indelével, mas inegável.
Os Mitos são o iniciar da consciência coletiva, ou seja eles nos remetem ao percurso humano.
Os afazeres humanos sob a forma de ritos atualizam os mitos, desta maneira os mitos são sempre atuais.
            Apresento alguns mitos resumidos.
 
Índio Karajá 
 
Um mito interessante é dos índios Karajá, grupo indígena brasileiro.
            Eles relatam que viviam no início dos tempos no fundo de um rio, onde viviam gordos, satisfeitos, onde todas as necessidades eram satisfeitas, habitavam um espaço estreito e frio. Até que, um dos jovens achou uma saída e encontrou um espaço amplo para correr e morar, voltou ao fundo do rio e trouxe todos com ele para aquele novo ambiente, porém, (sempre existe um porém), eles pela primeira vez encontraram a velhice, a morte, os sofrimentos. Tentam voltar mas a passagem agora está fechada.
 
                                                             Índio Arara
            Os índios Arara, outra tribo brasileira, a mitologia descreve que no início dos tempos só existia o céu e a água, separadas por uma casca, alguns dizem que, inicialmente, eles viviam em uma cabaça, de qualquer forma “a boa humanidade” vivia protegida, e mais uma vez relatam da boa venturosa em que viviam. Fora da casca todas as coisas “ruins” existiam. Um dia surge uma briga entre eles e a casca se rompe e os Arara são expulsos dos céus, alguns são salvos pelos pássaros amazônicos e levados de volta, esses se tornam estrelas, os que ficam na água, os restos da casca do céu vão se tornando terra e ali eles passam a viver e lidar com os sofrimentos que isso acarreta.
           

 
            No antigo Egito, a criação provém de um oceano primordial chamado Nu, preexistente. No âmago dessa extensão líquida, o demiurgo Aton dormita em completa inconsciência. Em dado momento toma consciência de sua existência e começa a dialogar com Nun, desse dialogo, dessa palavra surge a origem de toda criação, projetando-se para fora, nasce o cosmos do caos (Larré, 2004, p. 81).
            A cultura hebraica, cristã, e mulçumana, está retratada no Gênesis que descreve o paraíso, até que, algum ato é cometido para expulsar o humano, para uma vida de labuta e sofrimento.
            Existem uns cem números de mitos de origem, sejam, de uma ou outra cultura, de quaisquer culturas. Esses relatos também mudam, com o passar do tempo, assim ao analisar profundamente cada um, tem que se levar em conta em que período ele pertence. Mas, para esse estudo preliminar, isso não se faz necessário.
O interessante é notar que, em alguns pontos esses relatos se intercruzam, como se tivessem sidos contados pelo mesmo povo, tendo a mesma finalidade.
Alguns pesquisadores, entre eles Jared Diamond (2004), acreditam que houveram diversas “globalizações” durante a história da humanidade, e que os mais diversos povos tiveram contato entre si, para depois por diferentes motivos se isolarem, novamente. Depois, reencontravam-se no palco da história e deparavam-se com coincidências inesperadas, pois não se lembravam que um dia haviam convivido.
Ao se analisar esses relatos vê-se uma semelhança, um saudosismo de algo que já se viveu e se perdeu algo, que o Humano se sentia pleno, e agora não é mais.
Isso também é encontrado nos relatos da terra prometida, terra do leite e mel, etc. Até nas culturas indígenas. Ou seja, que de alguma forma o Humano voltará a ter todos os benefícios que um dia perdeu.
Será que esses relatos tanto de um paraíso que se perdeu, como o paraíso a ser conquistado, não se refere à uma única coisa?
O desenvolvimento da consciência Humana? Quando o indivíduo se encontra em formação dentro do útero materno, não tem necessidade de nada, tudo lhe é dado, mesmo sem pedir, ao nascer ele tem que crescer, amadurecer, sem dúvida esse processo é dolorido, difícil, nem todos alcançam a totalidade do seu potencial, seja, mental, emocional, etc.
A consciência coletiva atribui essa etapa do desenvolvimento o retorno ao paraíso, porém agregado a sabedoria ganha com o percurso.
Esse ser humano se tornou inteiro, pleno no final, não é o que todos buscamos?
 
Referencias Bibliográficas
 
DIAMOND, Jared. Armas, Germes e Aço. São Paulo: Record. 2004.
LARRÉ. C. A Herança Espiritual do Antigo Egito. Curitiba: Diffusion Rosacrucienne. 2004.
Povo Arara. Disponível: http://arara.fr/BBTRIBOARARA.html. Acesso: 21/01/2015.
Povo Karajá. Disponível: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/Karaja/374. Acesso: 21/01/2015.
 

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