sábado, 4 de abril de 2015

Psicologia: O Fim da Infância?


O conceito de infância começou a surgir por volta do final do século XVIII, início do século XIX, após a revolução industrial, a partir da Inglaterra, nesse período.
Com a revolução industrial, o trabalho infantil não era mais necessário libertando as crianças como força de trabalho.
Antes disso as coisas eram bem diferentes.
Na idade média, normalmente, uma criança não recebia nome até completar três anos de vida, pois sua sobrevivência não era garantida.
A partir dessa idade ela era integrada ao mundo adulto, se fosse filho do povo, das classes mais baixas, passava a ajudar no trabalho dos pais, se fosse filho de nobres começava a aprender sobre sua função futura, como senhor de terras.
Era comum crianças casarem-se aos oito, nove anos de idade, Maomé (Muhamad) casou-se com a sua principal esposa Fátima, quando ela chegou aos sete anos e ele tinha mais de quarenta anos.
Ou seja, o mundo adulto era mesclado com o mundo infantil, não havia separação entre esses dois mundos, a informação que o adulto tinha acesso era o mesmo que as crianças tinham.
Ao se analisar a história humana, se perceberá que conceito sobre a infância nunca existiu.
 Alguns achados arqueológicos, eram brinquedos, mas, até que idade era permitido à criança brincar livremente? Isso esses achados não respondem.
No entanto na antiga Pompéia, que foi engolida por lava vulcânica, e por isso o dia a dia dessas pessoas apresentado em forma petrificada no tempo, foi encontrado o cadáver de uma menina subnutrida ao lado de um bebê, indicando que era ela quem cuidava da criança menor, tudo indica que era uma escrava, sua idade girava em torno dos oitos anos.
Em nenhum texto antigo, encontrado até hoje, relata-se a infância como ela é conhecida nos dias atuais.
Parece que a humanidade nunca se preocupou com suas crianças a ponto de fazer relatos sobre esse estágio de desenvolvimento.
Isso começa a mudar a partir da revolução industrial, aos poucos o mundo infantil vai se separando do mundo adulto, chegando ao ponto que as refeições serem feitas em ambientes e momentos separados, a tônica passa há ser que nem tudo é de interesse das crianças, tem assuntos que não podem ser discutidos na frente das crianças, “isso só vai ser compreendido quando você crescer” e por ai vai.
O desenvolvimento infantil vira interesse cientifico, muitas pesquisas são feitas para entender esse período do humano, dividem em fases, o que é esperado em cada idade, etc.
Finalmente se entra no século XXI e o que se encontra?
A televisão, a internet, toda a tecnologia que agora o ser humano possui para facilitar sua vida, diminuem o espaço entre esses dois mundos, o infantil e o adulto.
Algumas crianças possuem agendas lotadas, como qualquer adulto, já não há tempo para brincar livremente, dar asas à imaginação, criar um mundo de fantasias à parte do mundo adulto.
Hoje a mesma informação que a criança tem acesso é a mesma que adulto tem.
Os interesses passam a ser os mesmos, o último tipo de celular, roupas iguais para qualquer faixa etária, isso em qualquer classe social, mesmo os mais humildes, que não possuem acesso as mesmas coisas, tem os interesses voltados para esses mesmos bens.
Tornou-se normal, esperado e incentivado que crianças de oito, nove anos se comportem, se vistam como os adultos, que elas passem a ter interesses iguais aos adultos. a tecnologia fez o que a sobrevivência antigamente fazia, a infância diminuiu.
No entanto na atualidade surge um componente novo, todos: crianças, adultos, idosos, querem a mesma coisa, ser jovem.
A juventude é super valorizada, onde ninguém precisa crescer, assumir a responsabilidade sobre a própria vida, e preferível transferir essa responsabilidade a outrem. Porém, esse assunto especifico, deixo para discorrer em outro momento.
Assim, no silencio a infância vai se perdendo, sem que ninguém note.
Será que a infância não é uma etapa normal do ser humano, uma vez que ela existiu, por um pequeno período na história humana?
Ou ela está assumindo características diferentes, assim como o ser humano também está assumindo outro patamar do seu desenvolvimento como espécie?