sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um Conto de Natal



Naquela Noite...


 Naquela noite de natal, papai Noel descendo a rua, suado e risonho tem em uma das mãos o saco vermelho cheio de promessas na outra um sino que faz um som de riso na quente noite de verão.



A casa da esquina que se dirige está toda enfeitada de luzes piscantes que traduzem a alegria e esperanças que a noite anuncia. Ao tocar a campainha é recebido por abraços e beijos de um jovem casal. Atrás crianças com seus gritos festivos o recebem com amor.
Após a lauda ceia, os três adultos se sentam no sofá observando as crianças que brincam com seus novos brinquedos perdidos em sonhos. Elas são apenas, um menino com cerca de sete anos e cabelos cacheados, olhos azuis e seus dois irmãos gêmeos menores.
A mãe com o olhar perdido no tempo suspira se dirige ao marido e fala:
- Naquela noite você salvou minha vida.  Eu vinha do enterro do meu primeiro marido e meu filho recém nascido, mortos em um acidente de carro. Ao entrar naquele ônibus estava pedindo somente uma segunda chance, quando ouço o som de choro de um bebê, olho do lado e vejo um homem dormindo e uma pequena trouxa que se mexe do lado berrando a pleno pulmões, pensei mais um infeliz que perdeu alguém que ama. Nada mais natural pensei que pegar aquele pequeno ser e levá-lo ao seio para consolá-lo, neste momento você me olhou e sorriu neste instante tudo passou, o presente se transformou em uma promessa de futuro, dei o braço a você e saímos do ônibus começar uma nova vida. O passado descansando em lembranças, as cicatrizes curadas, o futuro uma promessa.

O marido olhou assustado para a mulher e disse:
- Naquela noite, pela centésima vez briguei com meu pai, ele me pos para fora de casa dizendo que eu era um vagabundo e que não queria me ver nunca mais. Entrei naquele ônibus sem saber para onde ir, sentei no banco e fiquei perdido, pedindo uma segunda chance, quando eu olho do lado vejo você amamentando o bebê, você sorriu para mim e saímos do ônibus de braços dados para começar uma nova vida,
- O passado não importava mais uma vez que você confiou que eu pudesse te ajudar, a partir dali nunca questionei o passado, não era hora de relembrar os erros, mas sim de construir um futuro.
O papai Noel já sem sua barba sorriu para os dois e disse:
- Naquela noite, vinha pensando o que eu tinha feito da minha vida, dirigia aquele ônibus anos sem conta, todo dinheiro que conseguia, bebia sem dó, estava pensando que eu só tinha uma casa vazia para passar a noite de natal, sozinho sem família, estava pensando o que eu faria se tivesse uma segunda chance. Neste instante senti uma mão em meu ombro, era um senhor de cabelos brancos seu rosto escuro como a noite e me disse;
- Segundas chances acontecem, feliz natal.
- Ao virar o rosto para vê-lo melhor não o vi mais, em seu lugar vi você saindo do ônibus no ponto final, perdidos e com um sorriso nos rostos cansados, nada mais natural do que convidá-los para passar aquela noite comigo. Nestes anos todos, os vi construírem um lar, progredirem sucessivamente em todos os seus empreendimentos com muita garra e amor.
 Não era hora de pensar no passado e sim sonhar com o futuro, afinal eu ganhara minha segunda chance de ter uma família.
Os três se calaram olhando assustados para o menino de cabelos cacheados e disseram ao mesmo tempo.
- Se ele não é seu... Quem? ... De onde? ...
O menino olhou para os adultos sorrindo e dirigiu seu olhar para o alto da árvore de natal onde estava seu enfeite preferido, um anjo em roupas e cabelos brancos, asas douradas e o rosto tão escuro como a noite, este olhou para o menino e piscou. O menino tranquilamente voltou a brincar com seus irmãos, naquela noite de natal.



           FELIZ NATAL