O Homo sapiens
começou realmente se diferenciar dos seus semelhantes a partir da descoberta do
fogo, com isso conseguiu se alimentar melhor, mas também começou a ter mais
horas de sono, pois com o fogo eles conseguiam ter mais segurança, uma vez que
a maioria dos predadores tem medo do fogo.
Com isso o cérebro humano se desenvolveu mais depressa.
Com mais horas de sono vieram os sonhos, o cérebro pode
assimilar e coordenar melhor suas funções neurais, aumentando sua capacidade e
complexidade.
O pensamento se torna mais abstrato, com um poder de
simbolismo mais abrangente. Com o aumento do período de sono começam a surgir as
figuras oníricas e o contato com os deuses.
“A
substancia de que somos feitos é igual à dos sonhos e entre um sono e outro
decorre a nossa curta vida”. (Shakespeare)
O sonho está presente até mesmo nas representações artísticas
em uma tentativa de entendimento dos fenômenos que cercam os Homens. Sonho,
fruto da evolução do cérebro humano em seu caminho para a formação da sua
identidade.
O cérebro é certo, o fruto de um processo genético lento,
mas efetivo, através das eras, os determinismos genéticos, que agiriam no sono
paradoxal e nos sonhos, seriam uma espécie de pré-programa para o
desenvolvimento psíquico e cognitivo que se desenvolveria na temporalidade.
Assim o sonho também está relacionado com a formação da
imaginação e linguagem em última análise seria o motor condutor da inteligência
simbólica, o indivíduo seria capaz agora a criar e recriar o mundo em si e no
mundo real.
A partir desse fenômeno começam a surgir os mitos que
tentam dar uma ordem no caos que até então os Homens viviam, ou seja, tentar
dar um sentido no mundo em que os Homens existiam.
A função do mito é como se fosse um caminho que leva o
sujeito a uma transformação, desprendendo-o de suas condições históricas locais
e conduzindo-o a um tipo de experiência inefável, ao mesmo tempo prende-o ao
seu sistema familiar de valores, atividades e crenças historicamente
condicionados.
A origem do mito permite a procedência de uma pluralidade
de expressões possíveis que não conseguem promulgar a totalidade da realidade,
mas sim a discrepância do Homem e sua relação com o mundo. Do mito surge a
criatividade humana e dos arranjos que caracterizam a personalidade.
A concepção do mito é um artificio da mente humana que
promulga o ilimitado orbe dos sonhos.
A partir dos sonhos cada vez mais elaborados os Homens tentam
dar um sentido em seu universo através dos mitos, assim cada etnia cria sua simbologia
para explicar sua realidade, que de outra forma não faria sentido.


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