sábado, 27 de junho de 2015

Psicologia: A Morte "Pasteurizada"


          
         Morte do latim mors, óbito do latim obitu, passamento (passar+mento) ou ainda desencarne (deixar a carne), são sinônimos de um mesmo fenômeno, o processo irreversível de encerramento das atividades biológicas.
Um processo correspondente à própria vida, que muitas vezes se torna uma tragédia na vida das pessoas que perdem alguém.
Antigamente, quando várias gerações conviviam juntas, o processo de nascimento e da morte eram vistos como algo natural que fazia parte da vida.
Agora, geralmente, a morte é isolada da sociedade, a pessoa à beira da morte é colocada em um hospital, onde tudo é esterilizado em um ambiente “pasteurizado” inclusive as emoções.
Os rituais fúnebres ajudam as pessoas a elaborar o sentimento de perda, porém não há mais tempo para se processar os sentimentos de perda, mas já acabado as cerimônias fúnebres são exigidas as retomadas dos afazeres diários, o tempo urge, pois, então torna-se necessário retomar as atividades cotidianas, como se nada houvesse acontecido.
Passa-se a sentir um sentimento de inadequação por experimentar o pesar, sentir que não se enquadra nas demandas exigidas do dia a dia.
O assunto da perda se transforma em tabu, pois ninguém está disposto a discutir o assunto com aquele que passou por essa experiência, é como se houvesse um tempo determinado para se lamentar.
Normalmente isso ocorre, porque quando alguém morre, arremete-se a verdade que todos um dia vão morrer, e admitir a própria mortalidade é um momento difícil.
Ninguém quer aceitar que um dia vai passar dessa para uma outra condição, a ideia de não existência para o ser humano é inconcebível.
A não existência, não é assimilada pelas pessoas em geral, enfrentar a possibilidade da própria morte, é aceitar a aniquilação da consciência, coisa que muitos não estão preparados.
No entanto no fundo a “não existência” está presente em todos os momentos da vida. Em certa medida é ela que dá sentido à existência.
O ser humano é contraditório neste sentido, ao mesmo tempo em que não quer existir, fato esse que ocorre quando se está submerso no inconsciente e não é o senhor do seu destino, essa situação é cômoda, pois as decisões não são tomadas por ele, não se assume responsabilidade por suas ações, esse é o ego, que não submergiu do inconsciente, ele se encontra no “paraíso perdido”, onde o “Eu” não existe.
Por outro lado, o ser quer existir, emergir do inconsciente, formar o próprio ego, ser o senhor de sua própria existência, domar o dragão (inconsciente) e sair vitorioso dessa batalha interior.
Ao construir o próprio ego, depara-se com a realidade da sua própria inexistência, sua finitude e aceita essa realidade.
Quanto mais se discute sobre a morte, mais fácil se torna lidar com ela, e começa-se a perceber que antes de uma maldição é uma benção, pois é isto que nos iguala, é a própria morte que dá uma finalidade à vida.  
Assim, ao se negar a morte não precisa enfrentar os próprios conflitos, não precisa crescer e reivindicar sua condição de ser único dentro de uma sociedade, que também se nega a crescer.



2 comentários:

  1. Concordo com a Sra.Dra Pérola! O nosso maior sofrimento são os apegos alimentado pelo nosso "ego". Quando atingirmos a compreensão do "ser total" estaremos nos livrando de todas as armadilhas do nosso "ego". lembro de um pensamento que diz: ""Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte." e um pensamento do Gandhi que diz:" "Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos". GRATIDÃO PELAS ELUCIDAÇÕES DO SEU TEMA.

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