Morte do latim mors, óbito do latim obitu, passamento (passar+mento) ou ainda desencarne (deixar a carne), são sinônimos de um mesmo fenômeno, o processo irreversível de encerramento das atividades biológicas.
Um processo correspondente à própria vida, que muitas vezes
se torna uma tragédia na vida das pessoas que perdem alguém.
Antigamente, quando várias gerações conviviam juntas, o
processo de nascimento e da morte eram vistos como algo natural que fazia parte
da vida.
Agora, geralmente, a morte é isolada da sociedade, a pessoa
à beira da morte é colocada em um hospital, onde tudo é esterilizado em um
ambiente “pasteurizado” inclusive as emoções.
Os rituais fúnebres ajudam as pessoas a elaborar o
sentimento de perda, porém não há mais tempo para se processar os sentimentos
de perda, mas já acabado as cerimônias fúnebres são exigidas as retomadas dos afazeres
diários, o tempo urge, pois, então torna-se necessário retomar as atividades
cotidianas, como se nada houvesse acontecido.
Passa-se a sentir um sentimento de inadequação por experimentar
o pesar, sentir que não se enquadra nas demandas exigidas do dia a dia.
O assunto da perda se transforma em tabu, pois ninguém está
disposto a discutir o assunto com aquele que passou por essa experiência, é
como se houvesse um tempo determinado para se lamentar.
Normalmente isso ocorre, porque quando alguém morre,
arremete-se a verdade que todos um dia vão morrer, e admitir a própria mortalidade
é um momento difícil.
Ninguém quer aceitar que um dia vai passar dessa para uma
outra condição, a ideia de não existência para o ser humano é inconcebível.
A não existência, não é assimilada pelas pessoas em geral,
enfrentar a possibilidade da própria morte, é aceitar a aniquilação da consciência,
coisa que muitos não estão preparados.
No entanto no fundo a “não existência” está presente em
todos os momentos da vida. Em certa medida é ela que dá sentido à existência.
O ser humano é contraditório neste sentido, ao mesmo tempo
em que não quer existir, fato esse que ocorre quando se está submerso no inconsciente
e não é o senhor do seu destino, essa situação é cômoda, pois as decisões não
são tomadas por ele, não se assume responsabilidade por suas ações, esse é o
ego, que não submergiu do inconsciente, ele se encontra no “paraíso perdido”,
onde o “Eu” não existe.
Por outro lado, o ser quer existir, emergir do inconsciente,
formar o próprio ego, ser o senhor de sua própria existência, domar o dragão (inconsciente)
e sair vitorioso dessa batalha interior.
Ao construir o próprio ego, depara-se com a realidade da
sua própria inexistência, sua finitude e aceita essa realidade.
Quanto mais se discute sobre a morte, mais fácil se torna
lidar com ela, e começa-se a perceber que antes de uma maldição é uma benção,
pois é isto que nos iguala, é a própria morte que dá uma finalidade à vida.
Assim, ao se negar a morte não precisa enfrentar os próprios
conflitos, não precisa crescer e reivindicar sua condição de ser único dentro
de uma sociedade, que também se nega a crescer.


Concordo com a Sra.Dra Pérola! O nosso maior sofrimento são os apegos alimentado pelo nosso "ego". Quando atingirmos a compreensão do "ser total" estaremos nos livrando de todas as armadilhas do nosso "ego". lembro de um pensamento que diz: ""Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte." e um pensamento do Gandhi que diz:" "Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos". GRATIDÃO PELAS ELUCIDAÇÕES DO SEU TEMA.
ResponderExcluirFalou bonito. Obrigada.
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