sexta-feira, 5 de junho de 2015

Psicologia: Final dos Tempos?



Escatologia, conceito religioso ou filosófico, que tem como princípio, o final dos tempos ou o final da humanidade.
Esse conceito é característico da cultura ocidental, sendo que as culturas orientais ou primitivas (no contexto de primeiras e não de inferiores) essa consideração não existe. Uma vez que, o pensamento é diferente dos ocidentais, as culturas ocidentais e primitivas têm um aforismo circular, continuo, sem início, nem fim, uma coisa dá início à outra de forma contínua.
A imagem da Uroboros é um bom exemplo desse contínuo, dos eventos que estão ligados em um ciclo de acontecimentos, onde uma estação (primavera, outono, inverno, verão) num eterno ciclo de criação e recriação.


Na cultura ocidental ocorre de forma diversa, a possibilidade de destruição do mundo é algo que se acredita ser possível e até esperado.
Por volta do ano 1.000 d. C. vários acontecimentos, como o surgimento da peste negra, guerras, conflitos políticos e econômicos, etc. Fizeram a população da Europa, acreditar que o final estava próximo, muitos grupos se prepararam para o evento que nunca aconteceu.
É essa sensação que periodicamente se repete, toda vez que, a civilização entra de alguma forma em crise.
Voltando-se para a história, se repara certos padrões no comportamento humano em relação a esse conceito.
Quando o Homem deixou de seguir os padrões lunares (a Lua representa os conteúdos inconscientes), consequentemente seus sistemas políticos e econômicos mudaram e migraram para novos paradigmas. Passaram de uma estrutura feminina e lunar para um sistema solar e patriarcal (representa a consciência).
Com essa mudança aconteceram conflitos que se traduziram por desordem socais e pessoais.
No decorrer da história ocorreram mais mudanças, e em todas elas os conflitos estão presentes.
A mudança sempre foi acompanhada de revoluções, guerras, quebra do sistema, para a instalação de uma outra realidade.
 Cada mudança indica um crescimento da consciência humana, assim como o indivíduo que a cada etapa do seu desenvolvimento, passa por conflitos para evoluir como pessoa até chegar a sua maturação.
A humanidade, também repete esse padrão, entra em conflito a cada passo da sua evolução da consciência. Foi assim em todo o período da história, a idade das trevas, o iluminismo, a revolução francesa que marca a mudança do sistema político mundial de monarquia para um novo sistema político, seja republicano, socialista e econômico: capitalismo.
Ou seja, a mudança é mais estrutural do que aparenta, mais profunda, é um patamar de consciência nova, e toda novidade não se estala de forma tranquila.
Mais uma vez, a humanidade está passando por um desses períodos, que todas as suas “verdades” estão em questionamento, o sistema patriarcal, a globalização com uma integração do pensamento ocidental a oriental, todas essas novas posições levam a um conflito de crescimento e a um novo patamar de amadurecimento.
Isso não significa que a humanidade vai acabar, mas, sim que vai mudar, infelizmente essas mudanças são graduais e lentas.
Esses acontecimentos foram deflagrados a partir do século XIX, e ainda estão atingindo seu ápice, por isso a sensação de que tudo pode acabar a qualquer momento.
Porém, se olhar em volta com calma, verá os sinais de mudança em todos os aspectos da sociedade, conceitos que não são mais tolerados, preocupação com o meio ambiente, que até 50 anos atrás não existia, injustiças sociais que se procuram abolir, agora os problemas mundiais passaram a ser da conta de todos.
Só quando a diferenciação da humanidade em “raças”, povos, tribos, grupos, religião, for transcendida numa síntese mediante um processo de integração entre todos os seus membros, será superado também essa etapa juvenil do desenvolvimento que abarca toda a humanidade.
Neste momento, então a humanidade estará pronta para dar o próximo passo evolucionário. O seu modo de pensar irá se transformar mais uma vez possibilitando novos caminhos, novos modelos econômicos e políticos. Pois, o atual posicionamento humano não permite outros modelos.
Isto é, a humanidade ainda não descobriu os seus novos caminhos, que direção tomar para atingir o objetivo de que alguns indivíduos já vislumbram.
Mas, a trajetória está traçada, o caminho já é conhecido.
E, não é o fim, simplesmente é um recomeço.


Referências bibliográficas

CAMPBELL; Joseph. As Máscaras de Deus. São Paulo: Palas Athena, 2003.
NEUMANN; Erich. História da Origem da Consciência. São Paulo: Cultrix, 2010.
JARED; Diamond. Armas, Germes e Aço. São Paulo: Record, 2001.
_____. Colapso. São Paulo: Record, 2005
JUNG; Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. São Paulo: Vozes, 2012.





Nenhum comentário:

Postar um comentário