sábado, 28 de março de 2015

Psicologia: A Escalada da Raiva e do Ódio.



A ira é a segunda emoção que surge na escala evolutiva, isso quer disser que todos os seres vivos sentem ira.
Ela surge como uma reação à primeira emoção, o medo, o ser vivo ao sentir medo, reage com a ira, como mecanismo de defesa, onde ele entra no processo conhecido como “luta ou fuga”, para se proteger e garantir sua sobrevivência.
Se o medo é o resíduo e antecipação da morte que leva consigo a vida, a ira é o elemento que tenta expulsar a ameaça que paira sobre o ser.
Quanto uma pequena célula sente uma ameaça ela reage com irritabilidade e um processo de recuo do agente provocador, ameaçador da sua integridade.
Assim o animal que se sente ameaçado no seu espaço vital pode agir com agressividade e mesmo atacar.
Por exemplo: a cobra tem uma área vital de mais ou menos 2 metros quadrados, quem ultrapassar esse diâmetro, corre o risco de levar uma picada, isso se ela não conseguir fugir, seu último recurso é o ataque.
De todos os animais o homem é o mais agressivo, talvez até por que o humano é o animal mais medroso, tem medos reais e imaginários. Como foi discorrido no outro artigo sobre o medo, neste mesmo blog.
Em virtude do mundo cultural e das noções de valores, a agressividade no homem, se manifesta no desejo de poder.
Somente o ser humano é capaz de destruir-se e ao outro semelhante, no afã de obter poder.
Esse poder pode ser o ter, quando mais melhor, seja, dinheiro, status, estético, ou mesmo moral.
A posse também pode se manifestar através da bondade, existem os que querem monopolizar a bondade, a santidade ou a virtude.
Assim sendo todos esses atributos de posse surgem como uma reação, inicialmente do medo, do existir ou não existir, da vida ou da morte, o medo de fracassar, o medo de vencer, um paradoxo que convive no interior de todo humano.
Sigmund Freud (1856-1936) chamava esses princípios de Eros (vida) ou Thanatos (morte), que segundo ele eram desencadeados no nascimento do indivíduo.
O gigante negro (o medo) provoca a reação sob a forma da ira, o gigante rubro, segundo Mira y López (1896-1964). Ninguém pode sentir ira sem antes ter sentido medo.
Uma vez internalizada a ira, ela passa a se manifestar como cólera, que se manifesta como um profundo mal-estar, muitas vezes não sabe definir o que está sentindo, tem a necessidade de fazer algo, que nem a própria pessoa sabe o que é, pode-se definir como um “desgosto”, o metabolismo muda, como a opressão torácica, respiração difícil, falta de apetite, etc.
Se a ira não é reconhecida e tratada, pode-se instalar o rancor que começa a ser absorvida pelo organismo trazendo vários transtornos físicos.
O rancor dá origem a raiva e quando ela surge, o transtorno já se apoderou por completo do indivíduo.
Na escala evolucionaria, a raiva seria o contraponto do pânico, assim em um ataque de raiva o indivíduo, muitas vezes não sabe mais o que faz, perde o controle das suas emoções, levando a atos impensáveis em outras circunstâncias.
A ascensão seguinte desse processo, seria a fúria, neste estágio, o sujeito não só perde o controle das suas emoções como também da razão e a percepção de si mesmo.
Outra face da raiva é o ódio, singular sentimento, pois não se sente ódio de algo que não se reconhece como semelhante a si mesmo. Ou seja, só se é capaz de odiar aquele que de alguma forma seja igual ao indivíduo.
Por exemplo: as guerras e brigas religiosas, cristãos contra protestantes, islamitas contra judeus, etc. Dificilmente se viu uma guerra religiosa contra ateus.
Por que o ateu não é reconhecido como igual pelos religiosos.
Como deu para perceber esses sentimentos ditos como negativos tem uma escala de progressão, e seu gatilho é o medo, se não levados em conta, podem destruir o próprio indivíduo, assim como outros sujeitos que lhe cercam.
No entanto todos esses fenômenos, não querem dizer que são sentimentos negativos, que devem ser sufocados e não tolerados.
Não existem sentimentos negativos, o que existe são sentimentos mal elaborados.
Ao se compreender como surgem, e por que, podem ser elaborados e passarem a ser fonte de construção, não de destruição.
São sentimentos que exigem muita energia do organismo, se essa energia for bem canalizada, pode ser transformada em ação para a construção de algo produtivo na vida do indivíduo, sua vida se tornará mais profícua.
Negar o que sente? Jamais.
Reconhecer e canalizar para algo produtivo? Sempre.
A vida se torna mais tranquila e gratificante.             
O aforismo grego: “Conhece-te a ti mesmo”, é mais do que verdadeiro, e nunca se fez tão necessário.
  
Aqui uma Nota: A profissão de psicólogo existe no Brasil, antes dos Estados Unidos e na Europa, A profissão foi regulamentada através de decreto lei redigido e proposto por Emilio Mira y López em 1953.



Um comentário:

  1. Bom texto , mas com alguns equívocos , cita que o homem é o único animal " Somente o ser humano é capaz de destruir-se e ao outro semelhante, no afã de obter poder"
    Isso está totalmente equivocado , no reino animal , os machos-alfa chegam a se matar em duelos para definir quem será o chefe do grupo .... em muitas e muitas espécies é assim ...., assista o Nat Geo ou Discovery .

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