O ser humano passa grande parte de sua vida no “automático”,
isso quer dizer que, dificilmente se detectam com atenção as escolhas e
decisões de modo consciente e racional.
O lobo frontal é a área do cérebro que habilita a capacidade
de concentração. Ele é fundamental para tomadas de decisões e para manter uma decisão
firme.
O lobo frontal toma decisões baseadas na história pessoal
do indivíduo, das informações do ambiente e do estoque de recordações, processa
todos esses dados para se chegar as disposições ou escolhas diferentes das que
o indivíduo fez no passado.
No entanto essas escolhas consistem em respostas
condicionadas, ou seja, aprendidas e automáticas.
Muitas atitudes que se toma durante o dia a dia, são tomadas
por esse processo, como: reagir à uma ameaça (um assalto), ir para a escola,
sorrir ao ver um amigo, comer quando se sente estressado, etc. Essas respostas
habituais, automáticas, dificilmente podem ser consideradas uma “escolha”.
Mesmo decisões simples como: que sabor de sorvete se gosta
mais, ou que tipo de roupa usar, qual a religião se deve seguir, fazem parte desse
processo automático de comportamento.
Essas decisões automáticas correspondem geralmente ao papel
da vítima, (agente passivo) onde nunca é o culpado dos fatores que ocorrem com
o sujeito, a vida se encarrega de conduzi-lo, não há controle das suas emoções,
nem de suas decisões, não há o que se possa fazer, a não ser seguir o rebanho,
o sujeito é simplesmente mais um dentre muitos, inclusive nas suas escolhas e
interpretação de mundo.
Então como saber quem realmente somos?
Neste instante é que entra o processo do observador.
Para se tomar uma decisão consciente, é necessário se
isolar do ambiente, de seus estímulos, se afastar do “problema” que se está
enfrentando, se tornar o observador do fato, tomando distância dos fatores envolvidos.
Assim como, o olhar de fora para dentro, pode-se ter uma
percepção até então desconhecida, tomar rumos diferentes, agora baseados nos
reais interesses do indivíduo, é não mais uma resposta automática, que muitas
vezes gera frustração por não se entender o porquê das coisas.
No silêncio do seu interior, perguntar a si mesmo, qual a conduta
ou ação é a mais correta para resolver seus problemas, se questionar sempre,
suas decisões e escolhas. Com o tempo o indivíduo saberá filtrar o que é “seu”
e o que é do meio, e saberá principalmente quem realmente é (agente ativo).
As redes neurais mudam, a consciência passa a se mover pelo
cérebro e usá-lo para examinar as opções e possibilidades.
O indivíduo passa de vítima, sem autonomia em sua vida,
para agente transformador da sua existência.
Se torna um indivíduo por inteiro.
Quando se muda a forma, de se observar as coisas, as coisas
mudam.


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