A criança pequena possui o ego imerso no inconsciente
coletivo, ela não distingue o “eu” do mundo exterior, vive em uma simbiose
pacifica com a mãe e seu meio, conforme vai se desenvolvendo, percebe que ela e
o mundo não são iguais, assim precisa classificar as coisas ao seu redor para
formar seu próprio ego distinto.
Para a criança pequena não há nuances, as coisas são definidas
entre aquilo que é e o que não é, o que pertence ao seu interior e o que
pertence ao exterior.
Neste momento do desenvolvimento se estabelece a dualidade,
o certo do errado, o bom e o mal, o feminino e o masculino, não há meio termo.
Alguns mitos se referem a essa fase quando relatam a
separação dos elementos da natureza.
No mito dos povos Guarani (no idioma dos índios brasileiros,
não existem palavras no plural), Iamandu ou Nhanderu (Sol) é o realizador de toda
criação, com ajuda de Araci (a Lua), incluindo o oceano, florestas, animais,
estrelas e a própria humanidade a partir de estatuas de barro, soprou a vida
nas formas humanas, e depois partiu deixando os humanos com os espíritos do bem
e do mal.
Neste relato, já se nota a separação da luz (sol) e da
escuridão (lua), o bem e mal, a dualidade já está presente.
Quase todo mito de origem se inicia com o Caos (inconsciente)
que muitas vezes assume a figura do feminino (a mãe), ou seja, a figura da mãe
simbolicamente se refere ao inconsciente.
Pode-se afirmar que, a ontogenética acompanha a filogenética,
o desenvolvimento individual reproduz o desenvolvimento da própria espécie e vice-versa.
Conforme a criança vai crescendo essas separações se tornam
cada vez mais nítidas, seria como um emergir do Ego das águas profundas, porém
a consciência ainda não está presente.
Ao atingir a adolescência o arquétipo do herói assume, esse
desenvolvimento.
Assim o adolescente se transforma em seu próprio herói, há
neste momento uma mudança do centro do ego, já não mais a universalidade cósmica
do mito, se ultrapassou o mito de criação, agora o homem está no centro do
mundo é se tornou visível. Neste momento o ego e a consciência ganham autonomia
e se direciona para alcançar a totalidade da personalidade, ele não é mais
parte integrante da natureza, o herói se distingue como personalidade humana. O
herói é o percursor da humanidade em geral. O seu destino agora é o modelo que
deve ser seguido, com atrasos e intervalos os estágios do mito do herói fazem
parte das constituintes do desenvolvimento da personalidade de cada indivíduo.
Por isso todo mito de herói narra uma batalha ou tarefa que
este deve enfrentar.
Os mitos de Sargon, Moisés, Karna, Édipo, Paris, Telephus,
Perseu, Gilgamesh, Cyrus, Romulos, Hercules, Jesus, Siegfrid, Thor, só para
citar alguns tem componentes em comum. Existem mitos modernos, como Matrix,
Star Wars, Super-Homem, Homem Aranha e qualquer outra história, onde o herói tem
que enfrentar várias batalhas para poder se assumir como indivíduo.
Todos relatam a batalha da consciência para se estabelecer
como o centro do humano, e a partir de aí construir uma personalidade própria,
distinta dos pais ou meio social.
Alguns
indivíduos não conseguem enfrentar essas batalhas e retornam aos estágios iniciais,
onde o ego fica mergulhado no inconsciente. São aqueles indivíduos que tem
posturas rígidas perante os outros, não admitem serem contrariados, não aceitam
que pensem diferentes deles. Passam a vida imersos no inconsciente, tentando
voltar para o aconchego do útero primordial (o paraíso perdido).
A jornada do herói possui as mesmas características, os
mesmos passos, seja essa jornada pessoal ou coletiva.
Ao herói que enfrenta a batalha e consegue ultrapassar essa
fase, os louros da vitória, o desenvolvimento da consciência. A reintegração
com o inconsciente, agora representado como o universo, cosmo, etc. mantendo
sua individuação, ou seja, seu “ego”.
A união do macrocosmo com o microcosmo.
O símbolo dessa etapa do desenvolvimento é a Mandala,
presente em todas as culturas, o ponto máximo de desenvolvimento da consciência humana.
Referências
bibliográficas
CAMPBELL,
Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 1995.
NEUMANN, Erich. A Historia da Consciência Humana. São Paulo: Cutrix, 1995.
JUNG,
Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. São Paulo: Nova Fronteira, 2008.
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O Livro Vermelho. São Paulo: Vozes, 2010.



O herói tematizada não é bom. A crença do norte-americano em heróis, é mais para o lado da magia, do sobrenatural.
ResponderExcluirO herói interior, o Hércules por exemplo, não citado e seus 12 trabalhos, seus setênios, é uma vida, enfim todos nós somos heróis de nós mesmo e muitos ajudados pela descoberta do imaginário alheio colocou isso para fora, nas revistas de quadrinhos, nos filmes. O herói moderno quase sempre teve uma perda, com essa ele se perde, mas ante essa perda, ela tinha outra maior a conquista do amor e do prosseguir sua existência.
É pelo amor e pelo prosseguimento da raça humana que ele luta. Acredito que todos os seres humanos partem do interior para o exterior, quando da escuridão ele vê a luz, quando o pulsar das veias corre o sangue quente, o coração a rufar insistente como se mandar para frente, sempre. Por fim, as comparações, a audição, o tato e o paladar.
O herói representa uma fase de desenvolvimento psíquico necessário para se atingir a maturidade. Assim se analisar as historias antigas e atuais vai perceber que elas tem pontos em comum. A ontogenética reflete a filogenética. É neste contexto que coloco o mito do herói.
ExcluirUma análise interessante
ResponderExcluirObrigada, sempre a disposição.
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