JUNG E A METÁFORA ALQUÍMICA
"A alquimia representa a projeção em laboratório
de um drama ao mesmo tempo cósmico e psicológico."
C.G.Jung
A metáfora alquímica junguiana é o resultado de um processo metafórico antecedente e que constitui o processo alquímico em si mesmo conforme a sua realização num momento particular da história.A alquimia, tradição antiquíssima de origem incerta, consiste em uma série de ensinamentos práticos e teóricos voltados à transformação e ao aperfeiçoamento da matéria que se expressaria na transmutação de metais vis em ouro e na preparação do elixir da vida.
Sua origem, particularmente no caso da alquimia européia, parece proceder do Egito onde era associada ao culto do deus Thoth, que se tornou Hermes na Grécia antiga e Mercúrio, em Roma.
Nasce como uma ciência natural que busca a compreensão da própria natureza a partir de uma especulação filosófica, como se pode ver já na filosofia pré-socrática no século VI a C. É dela que nasce o conceito de prima matéria a partir da crença de que o mundo tinha origem em uma única substância que era subdividida nos quatro elementos terra, ar, fogo e água, os quais, segundo diferentes recomposições faziam surgir todos os objetos físicos existentes no universo. Esta idéia, a prima matéria, teve sua evolução chegando com Aristóteles a ser considerada como pura potencialidade, que em seguida adquire forma, quando é atualizada na realidade.
Assim:
"A alquimia é uma ciência natural que representa uma tentativa de entendimento de fenômenos materiais de natureza; é um misto da física e da química desses tempos remotos e corresponde à atitude mental consciente daqueles que a estudaram e se concentraram no mistério da natureza, em especial dos fenômenos materiais. Também é o princípio de uma ciência empírica"
Pode se notar na vida de Jung que a alquimia ocupou um lugar de destaque seja pelo número quanto pela importância dos escritos que ele dedicou a este tema.
Além da busca do significado de alguns sonhos que levou Jung à constatação de ser "condenado a estudar a alquimia desde o princípio", o seu contato com a alquimia se dá através da leitura do Segredo da flor de ouro, texto esotérico taoísta chinês, pouco conhecido naquela época e traduzido parra o alemão por Richard Wilhelm, que o enviou em 1928 para que Jung fizesse uma apreciação(6). A partir deste momento Jung irá estudar a alquimia, estudo este que irá se estender por quase quinze anos antes que ele publicasse algo a respeito do tema.
O SIGNIFICADO METAFÓRICO
O significado metafórico da alquimia para Jung poderia ser visto nesta suas palavras:
"O problema central da psicologia é a integração dos opostos. Isto é encontrado em todo lugar e todos os níveis. Em Psicologia e Alquimia (Obras 12) ocupei-me da integração de Satanás.[...] Isto se realiza por meio de um processo simbólico muito complicado que coincide a grosso modo com o processo psicológico da individuação. Em alquimia este processo se chama conjunção de dois princípios.[...] As operações alquímicas eram reais, somente que a sua realidade não era física, mas sim psicológica. A alquimia representa a projeção em laboratório de uma drama ao mesmo tempo cósmico e psicológico.[...]
Na linguagem dos alquimistas a matéria sofre até que a nigredo desapareça; então a cauda do pavão ( cauda pavonis) anunciará a aurora e surgirá um novo dia, a leúkosis ou albedo. Mas neste estado de brancura não existe verdadeira vida, é um estado abstrato, ideal. Para infundir-lhe vida é preciso infundir-lhe "o sangue", a rubedo, o vermelho da vida. Somente a experiência de todos os estágios do ser pode transformar o estado ideal da albedo em uma forma de existência plenamente humana. Somente o sangue pode vivificar o estado de consciência mais alto, no qual é dissolvida o último traço de negrume, no qual o demônio não tem mais existência autônoma mas é integrado reconstituindo a profunda unidade da psique. Então a opus magnum está completa: a alma humana está completamente integrada."
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